quarta-feira, 22 de junho de 2011

BULLYING NA ESCOLA: COMO FICA A APRENDIZAGEM?

Discutir o insucesso escolar a primeira vista parece voltar a um tema debatido exaustivamente, no entanto, diferentes variáveis podem contribuir  para desencadear dificuldades de aprendizagem. Procurar identificar a causa e reverter o processo, exige uma articulação que ultrapassa as paredes da sala de aula e apresenta um universo de sentimentos e atores nem sempre reconhecidos como protagonistas do drama que acomete grande número de alunos.
A aprendizagem só acontece de fato quando o sujeito é compreendido em sua totalidade. Ter as bases biológicas adequadas, por si só não é garantia de que o aluno irá aprender. Ele só passará a construir significados e dar sentido ao que aprende na medida em que compreender a importância que terá para a sua vida, aquilo que está aprendendo. Desse modo, irá despertar o desejo pela aprendizagem e a partir daí passará a assimilar os conteúdos.
Pode-se afirmar que a criança aprende através da imagem de si mesma que recebe do outro. Quando essa imagem é comprometida através de constantes agressões sofridas por colegas no ambiente escolar, o aluno responde emocionalmente com baixa auto estima, depressão, entre outros problemas. As vítimas de bullying constantemente apresentam diferentes disfunções que têm sido muitas vezes negligenciadas pelos adultos. Quando são percebidos sinais e busca-se algum tipo de ajuda, a situação pode tomar rumos diferentes. No entanto, reações diferentes acontecem nesse cenário; pode acontecer da família achar que é bobagem e que a criança precisa aprender a se defender sozinha; outras vezes a família compreende a gravidade do problema e busca o apoio da escola, mas esta nem sempre está pronta para responder a essa demanda. O bullying desperta variadas reações e situações imprevisíveis, o que é previsível e assustador é o poder de destruição que esse cotidiano escolar permeado de frustração causa nos alunos envolvidos.
É fundamental que a família conheça o problema e perceba a necessidade de interferir efetivamente. Sua participação é de extrema importância , tendo em vista que exerce um papel insubstituível na formação do indivíduo. Carvalho e Almeida apresentam no trabalho intitulado Família e Proteção Social, uma discussão que aponta a necessidade de que esse papel seja reconhecido em todas as esferas da vida:.
Constituída com base nas relações de parentesco cultural e historicamente determinadas, a família inclui-se entre as instituições sociais básicas. Com o desenvolvimento das ciências sociais, ampla biografia internacional tem analisado suas diversas configurações e destacado sua centralidade conforme a reprodução demográfica e social. A família é apontada como elemento-chave não apenas para a “sobrevivência” dos  indivíduos, mas também para a proteção e a socialização de seus componentes, transmissão do capital cultural, do capital econômico e da propriedade do grupo, bem como das relações de gênero e de solidariedade entre as gerações. (CARVALHO, ALMEIDA,2003,p.1).
Assim sendo, é preciso haver uma articulação entre família e escola para que juntos possam enfrentar e vencer o bullying, uma vez que sozinhos, os pequenos permanecerão presos ao problema, gerando reações negativas para todas as partes.
            As vítimas têm sua auto-estima destruída e seus projetos ameaçados pela constante vergonha sofrida, impedindo que sua mente possa abrir espaço para novas descobertas e conquistas. Os agressores permanecem num equívoco que poderá comprometer seu caráter e seus valores, afetando assim seu rendimento escolar, social, com consequências imprevisíveis para o futuro.  
Averiguar o quanto o bullying poderá afetar o desempenho escolar dos alunos envolvidos, tanto os agressores quanto os agredidos e investigar as variáveis que influenciam a problemática em questão, parece de fundamental importância para estabelecer novos acordos e  oferecer outras possibilidades aos diferentes atores do ambiente escolar. Fica demonstrado que o sistema escolar precisa se debruçar sobre esse tema e reconhecer que negligenciá-lo poderá contribuir para retardar ou mesmo impedir o pleno desenvolvimento de crianças e  adolescentes. O Brasil possui uma das legislações mais avançadas na área da infância e da juventude. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, criado pela Lei 8069/90 assegura os direitos fundamentais desse segmento e afirma em seu Art. 5º:
 Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.(ECA, Art.5º).
Para a investigadora Beatriz Pereira, docente do Instituto de Educação da Universidade do Minho e especialista em estudos da criança é fundamental tomar as seguintes medidas:
 “ Promover mais espaços de recriação para as crianças, evitar a suspensão ou exclusão dos alunos prevaricadores, conceder apoio social e acompanhamento médico às crianças e famílias mais necessitadas e dotar as escolas e os pais de conhecimentos e autoridade para enfrentar estes problemas são algumas das sugestões para combater o bullying.”
Contudo, o problema é extremamente complexo e exige um importante envolvimento por parte de todos. Pensar em todos esses elementos e encontrar caminhos para ajudar os atores envolvidos no bullying não é uma tarefa simples, muitas variáveis precisam ser consideradas.  Vale a pena questionar:
- As crianças envolvidas com bullying apresentam uma queda no desempenho escolar?
- Existem indicadores que comprovem uma queda nesse desempenho, após a ocorrência constante de bullying ?
- O sistema escolar tem apresentado uma resposta especializada para reverter essa situação?
- Como as famílias dos alunos envolvidos têm reagido ao bullying?
- Quem são os bullies?
- Como estão envolvidos no processo de aprendizagem?
- Como poderemos ajudá-los?
- Os reflexos do bullying no desempenho escolar variam de acordo com a classe social em que os alunos estão inseridos?
            Identificar as variáveis e encontrar respostas para tais hipóteses permitirá novos encaminhamentos  acerca do assunto, em razão disso, é fundamental que pesquisadores do assunto estejam abertos ao diálogo, em busca de um aprofundamento que possibilite esclarecimentos que trarão novos caminhos para esses jovens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário