quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

INCLUSÃO X EXCLUSÃO: DO QUE ESTAMOS FALANDO?

As múltiplas formas de exclusão social, bem como as mudanças na forma de seu combate, têm transformado a noção de igualdade e diversidade entre o século XX e  XXI. Fala-se muito em inclusão sem que se tenha o cuidado de entender que para incluir é necessário compreender as múltiplas formas de exclusão que permeiam o nosso cotidiano. Sobretudo no que diz respeito ao Sistema Escolar. 
Embora a inclusão escolar seja um tema que tem sido consideravelmente discutido, sua complexidade possibilita uma série de discussões que não consegue  esgotar seu repertório.
Paulo Freire trabalhou a questão da exclusão em diversas obras, sempre foi sua preocupação entender a fragilidade do educando para incluí-lo de fato enquanto sujeito de sua história. No seu livro “Pedagogia do Oprimido”, obra escrita no ano de 1968,              Freire inova ao apresentar o oprimido como sujeito capaz de opinar de modo fundamental na construção de uma pedagogia . Ele discutiu de modo claro, os desejos e confusões que o opressor consegue despertar no oprimido, chegando a confundir os objetivos de suas lutas. Contudo, acreditava que propiciar autonomia a esse público, seria a forma correta de alcançar a educação.a que atendesse realmente às necessidades do seu meio.
Quando falamos em inclusão, temos idéia de quão abrangente ela é? Pode-se perceber claramente quando o assunto é inclusão, que os professores se reportam especificamente para os alunos com deficiência, esquecendo que desde Salamanca a expressão educação inclusiva tem um alcance que vai de pessoas  com dificuldades de aprendizagem decorrentes de condições econômicas e socioculturais, até pessoas com algum tipo de deficiência. Crianças negras, adotadas, obesas, com qualquer característica que as diferencie do grupo, são excluídas todos os dias nas nossas salas de aula, sem que os professores percebam que tais alunos também necessitam ser incluídos.
 A exclusão muitas vezes se dá de modo sutil, sobretudo quando nos reportamos às salas de aulas, onde alunos com trajetórias diferenciadas têm tratamento e são exigidos de modo absolutamente igual; ou mesmo quando existe um tratamento diferenciado que por não ser pensado em sua totalidade, acaba marginalizando o indivíduo ao situá-lo à margem das atividades cotidianas e ainda assim, acredita-se que esses alunos estão sendo incluídos no sistema escolar.
A questão é muito mais complexa e exige uma abordagem minuciosa para determinadas situações. O que não podemos fazer é tratar de um tema tão abrangente como se estivéssemos falando simplesmente de uma postura paternalista de inclusão sem uma compreensão da sua profundidade.
Perceber e respeitar a diversidade não é uma tarefa simples, o ensino tradicional nos ensinou a trabalhar com grupos homogêneos, esquecendo que na realidade tal homogeneidade inexiste. Perrenoud discute a diferenciação entre os alunos citando Bourdieu quando trata da bagagem cultural que cada indivíduo traz e como essa diferença poderá familiarizar ou exilar o aluno em função do que cada um apreendeu ao longo de sua vida, analisando os vários aspectos que permeiam a questão. Tratar os alunos como iguais em direitos e deveres , quando na realidade é evidente que são muitas as diferenças entre eles, acaba por favorecer uma parte deles em detrimento dos demais. O que traz á tona a discussão de que a diferenciação poderá beneficiar as elites, dependendo do modo como o profissional desenvolva a sua prática.  Em seu livro Pedagogia na Escola das Diferenças, ele  defende que os percursos são necessariamente diferenciados, ainda que não pareçam a primeira vista, uma vez que a história de vida, as aspirações  e até mesmo a atenção que o aluno tem a determinadas aulas interferem no que cada um aprende,sendo  portanto impossível avaliar o percurso de cada aluno. Desse modo, afirma que toda proposta didática será inadequada para uma parcela dos alunos. Portanto, faz um alerta para que jamais se espere por resultados espetaculares, mas que se tenha consciência de que trata-se de um longo percurso em que nenhum esforço é perdido.




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