EXCLUSÃO SOCIAL X INCLUSÃO ESCOLAR: PRIMEIRAS PALAVRAS...


As múltiplas formas de exclusão social, bem como as mudanças na forma de seu combate, têm transformado a noção de igualdade e diversidade entre o século XX e  XXI. Fala-se muito em inclusão sem que se tenha o cuidado de entender que para incluir é necessário compreender as múltiplas formas de exclusão que permeiam o nosso cotidiano. Sobretudo no que diz respeito ao Sistema Escolar. 
Diferentes pensadores discutem a questão da exclusão social, sob os mais variados aspectos
Paulo Freire trabalhou a questão da exclusão em diversas obras, sempre foi sua preocupação entender a fragilidade do educando para incluí-lo de fato enquanto sujeito de sua história. No seu livro “Pedagogia do Oprimido”, obra escrita no ano de 1968,              Freire inova ao apresentar o oprimido como sujeito capaz de opinar de modo fundamental na construção de uma pedagogia . Ele discutiu de modo claro, os desejos e confusões que o opressor consegue despertar no oprimido, chegando a confundir os objetivos de suas lutas. Contudo, acreditava que propiciar autonomia a esse público, seria a forma correta de alcançar a educação. que atendesse realmente às necessidades do seu meio.
Bourdieu discute a forma como a escola trata como iguais sujeitos absolutamente diferentes. Sua abordagem retrata como tal pedagogia tem o poder de causar a exclusão ao legitimar as desigualdades sociais. Sua obra tornou-se um marco na sociologia da educação, ao tratar os alunos como atores socialmente constituídos
Boaventura discute a modernidade como processo de exclusão, uma vez que o Norte impôs ao Sul a sua cultura, fazendo uma associação da modernidade com o colonialismo. Diferentes formas de conhecimento foram excluídos, como se a ciência pudesse dar todas as respostas. Em seu trabalho “ Epistemologias do Sul” ele trata do sofrimento dos povos e culturas silenciados pelo capitalismo e colonialismo através de sua imposição universal.
Embora o tema desperte discussões apaixonadas,  reverter os seus reflexos não é tarefa das mais fáceis. Quando falamos em exclusão a primeira idéia que vem à mente diz respeito a pobreza. Segundo fontes do IBGE e IPEA, no Brasil, a renda dos 50% mais pobres é quase equivalente à renda do 1% mais rico. Esses dados só refletem o fato de que  a formação da sociedade e a ação do Estado no Brasil foram, desde o nascimento da Nação até praticamente o final do século XX, dramaticamente concentradores de renda e de oportunidades e, portanto, geradores de desigualdade e de distintas manifestações de formas de exclusão.

A exclusão muitas vezes se dá de modo sutil, sobretudo quando nos reportamos às salas de aulas, onde alunos com trajetórias diferenciadas têm tratamento e são exigidos de modo absolutamente igual; ou mesmo quando existe um tratamento diferenciado que por não ser pensado em sua totalidade, acaba marginalizando o indivíduo ao situá-lo à margem das atividades cotidianas e ainda assim, acredita-se que esses alunos estão sendo incluídos no sistema escolar.
Naturalmente não podemos dizer que é simples definir uma maneira para tratar cada aluno, respeitando suas peculiaridades para não correr o risco de excluir. A questão é muito mais complexa e exige uma abordagem minuciosa para determinadas situações. O que não podemos fazer é tratar de um tema tão abrangente como se estivéssemos falando simplesmente de uma postura paternalista de inclusão sem uma compreensão da sua profundidade.



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