segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

É possível esquecer a língua materna?

É possível esquecer a língua materna?
o campo da linguística, a chamada “língua materna” costuma ser apontada como aquela que uma criança aprende e vive exposta desde o nascimento até os seus primeiros anos de formação. Por causa disso, ela se torna a língua com a qual muitos de nós se sente mais confortável em usar.
No entanto, ao longo da vida, muitas pessoas decidem estudar uma língua estrangeira, seja por questões de migração, turismo ou simplesmente para incrementar o currículo. Muitas pessoas até resolvem fazer intercâmbio por longos períodos para mergulhar a fundo em um novo idioma. Consequentemente, isso levanta uma questão interessante: será que uma pessoa pode esquecer a sua língua materna após vários anos de contato com um idioma diferente?
Ao longo desse artigo, nós vamos tentar entender como os humanos aprendem um idioma e o que pode levar uma pessoa a esquecer a sua língua materna.

Como alguém pode esquecer a sua língua nativa?

A linguagem é algo muito flexível, de modo que ela pode mudar de acordo com o ambiente do indivíduo. Quando você migra para um país com um idioma diferente, fica muito mais fácil desenvolver a capacidade de conversar nesse idioma, afinal de contas, aprender a língua local se torna uma verdadeira questão de sobrevivência.
A questão é que, no caso das pessoas adultas, as chances de esquecer a língua nativa são muito menores se comparadas com as de uma criança. De fato, os casos em que uma criança pode esquecer a sua língua nativa são comumente vistos entre crianças adotadas e aquelas que migram para um país diferente em uma idade muito jovem. Na prática, isso acontece porque esses indivíduos têm pouco ou nenhum acesso à sua língua nativa no novo ambiente.
Com isso em mente, podemos concluir que há uma grande diferença observada nas crianças e em seus pais quando falamos sobre o “desgaste da linguagem”. As crianças são muito mais propensas a esse desgaste do que os pais, pois estes tiveram um contato muito maior com a língua ao longo dos anos. Para se ter uma ideia, nos últimos 50 anos, as taxas de adoções aumentaram consideravelmente e a maioria das adoções internacionais é de crianças na faixa etária de 4-5 anos. Consequentemente, tais crianças adotadas geralmente sofrem de desgaste da linguagem.
Em muitos casos de adoção, as famílias adotivas falam um idioma diferente do idioma nativo da criança. Sendo assim, é seguro dizer que qualquer desenvolvimento de linguagem que tenha ocorrido antes de ser adotada se perderá quando a criança estiver no novo ambiente, pois ela viverá sem exposição à sua língua nativa.

Tá, mas é possível esquecer completamente a língua materna?

Ainda existe muito debate entre os pesquisadores sobre essa questão. O desgaste da linguagem não é apenas uma consequência da mudança no ambiente, mas também ocorre devido a certos efeitos psicológicos. Assim, é bem possível que uma criança ainda se lembre de partes da sua língua materna, mesmo que não a exponha há muito tempo. No entanto, em outros casos, pode não haver lembrança alguma.
Um renomado estudo liderado pelo psicólogo francês Christophe Pallier tentou descobrir se o período crítico da vida de uma criança desempenha um papel importante no desgaste da linguagem. Vários pesquisadores de Paris examinaram adultos que nasceram na Coréia e foram adotados em famílias francesas desde muito jovens. Esses adultos alegavam ter esquecido completamente a língua nativa e falavam um francês impecável, sem sotaque estrangeiro. Depois, os adultos foram expostos a três tarefas para determinar se poderiam recordar sua língua materna.
Os resultados obtidos foram bastante surpreendentes, pois nenhum dos indivíduos adotados conseguiu distinguir frases coreanas entre outras frases de idiomas diferentes. Além disso, suas respostas ao idioma conhecido, o francês, era semelhante às dos franceses natos, comprovando que os indivíduos adotados haviam esquecido completamente sua língua nativa, o coreano.
Então, é seguro dizer que é realmente possível esquecer completamente a língua materna, mas isso geralmente tende a acontecer se a pessoa em questão ficar exposta à língua nativa por apenas um breve período de sua vida.

Um incidente traumático pode fazer uma pessoa esquecer a língua materna?

Como você já deve ter percebido, esquecer a língua materna é algo que depende de fatores bem específicos para acontecer. No entanto, isso também pode acontecer por conta de algum fator psicológico associado à língua em questão, como algum tipo de trauma. Isso foi visto em alguns idosos que eram refugiados judeus-alemães durante a Segunda Guerra Mundial e que agora vivem nos EUA ou no Reino Unido.
Na prática, muitos desse idosos parecem ter perdido a capacidade de falar alemão, apesar de terem vivido na Alemanha a maior parte de sua vida adulta! Nesses casos, a incapacidade de relembrar a língua nativa não tem nada a ver com a idade, mas com as dolorosas lembranças que essas pessoas haviam experimentado durante a guerra.
As atrocidades que os nazistas cometeram sobre esses indivíduos os deixaram com lembranças traumáticas ao longo da vida. Para esquecer esses crimes hediondos cometidos contra eles, alguns dos sobreviventes acabaram esquecendo sua língua materna, o alemão. Ou seja, embora a Alemanha fosse sua terra natal, ela se tornou uma terra cheia de lembranças dolorosas que posteriormente resultaram no esquecimento do idioma.
Curiosamente, também foi possível notar que os sobreviventes que deixaram a Alemanha mais cedo eram capazes de falar a língua alemã melhor do que aqueles que partiram mais tarde, durante o auge da guerra. No entanto, é importante deixar claro que tais casos de desgaste da linguagem causados pelos efeitos psicológicos decorrentes de algum trauma são bastante incomuns.

Ou seja…

A linguagem é algo que está profundamente integrado em nosso cérebro e é uma das formas mais fundamentais de comunicação. Como tal, esquecer a língua materna até pode parecer quase impossível, mas a realidade é bem diferente. Fatores como adoção ou migração em uma idade muito jovem podem afetar a capacidade da criança de recordar seu idioma nativo e pode levar ao desgaste da língua em questão. Além disso, eventos traumáticos também podem desencadear tal esquecimento.
Por outro lado, como exatamente o desgaste da linguagem afeta diferentes indivíduos depende das experiências pessoais de cada um. Por isso, não há como saber se uma determinada experiência pode afetar os recursos de linguagem de um grande grupo de pessoas.
Por Rômulo Silva/Tricurioso

Governo deve publicar nova Política de Educação Especial

O governo se prepara para publicar um decreto alterando a Política Nacional de Educação Especial. A informação foi dada pela diretora de Acessibilidade, Mobilidade, Inclusão e Apoio a Pessoas com Deficiência do Ministério da Educação (MEC), Nídia Regina Limeira de Sá, durante sua participação no debate organizado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados nessa semana. 
A primeira versão do texto foi elaborada em 1994. Seus termos, porém, passaram por revisão, ao longo dos anos.A edição de 2008 pretendia torná-lo um instrumento de coibição de práticas discriminatórias contra pessoas com condições como deficiências intelectual, mental e física e Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A perspectiva, então, era de que todos os estudantes deveriam estar "juntos, aprendendo e participando". O texto determina que a escola não deve reproduzir "padrões homogeneizantes". 

Promessa de ampliação

Em entrevista concedida à Agência Brasil, Nídia Limeira de Sá disse que o texto que será divulgado foi construído em conjunto com "entidades representativas e pessoas que representam o público da educação especial, por meio de muitas reuniões, audiências públicas e consultas públicas". De acordo com a diretora, a elaboração foi feita ao longo de dois anos.
Nídia classificou a política como sendo "a da flexibilidade para os sistemas educacionais". "Ou seja, não entendemos que a educação para pessoas com deficiência ou TEA deva passar única e exclusivamente pelas escolas inclusivas comuns. Essa política oferece a flexibilidade no sentido de os sistemas se organizarem para poderem oferecer também, como alternativas, escolas especiais, classes especiais, escolas bilíngues [com aulas em língua portuguesa e Língua Brasileira de Sinais (Libras)], classes bilíngues", afirmou.
"Você pode conseguir melhores resultados para o público da educação especial em classes especiais ou escolas especiais. O foco dessa política estará na singularidade das pessoas, e não no grupo como um todo", completou.
A representante do MEC informou também que a política que entrará em vigor criará dois centros específicos: um para estudantes com deficiência físico-motora e outro para quem tem deficiência intelectual, motora e TEA. Perguntada sobre os planos de implementação, Nídia se limitou a dizer que o governo pretende priorizar capitais dos estados. 
Como uma das principais críticas às turmas e às escolas especiais é o fato de que poderiam contribuir para a segregação, a reportagem perguntou a opinião da diretora do MEC sobre a questão. "As turmas separadas podem acontecer. Não são ilegais, nunca foram", respondeu.
"A gente não quer que essa política signifique retrocesso em nenhuma das conquistas da inclusão escolar", afirmou. "Temos satisfação de dizer que a nossa política é plenamente adequada aos marcos legais da educação inclusiva."

Ensino comum

Parte dos especialistas em educação defende a matricula de todos os alunos em instituições de ensino comum é o caminho ideal. "A gente percebe o quanto essa possibilidade de estarem frequentando espaços comuns como qualquer outra pessoa é benéfico para o desenvolvimento deles, e isso a gente não pode perder de jeito nenhum", disse Roseli Olher, supervisora de Atendimento Educacional Especializado do Instituto Jô Clemente, como é chamada agora a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo.
Ela explicou que o trabalho gratuito realizado pela Apae, em parceria com a prefeitura de São Paulo, tem o objetivo promover a inclusão dos alunos com deficiência em turmas de ensino comum. Disponível para estudantes com idade entre 4 anos e 17 anos e 11 meses completos, o atendimento é feito por pedagogos especializados ou em educação inclusiva, ou em educação para pessoas com deficiência intelectual. Ao todo, atualmente, aproximadamente há adesão de 300 alunos.
A equipe faz visitas periódicas - duas vezes por semana - às escolas para verificar se os alunos estão realmente assimilando o conteúdo transmitido e se têm problemas com concentração ou relações interpessoais com seus colegas e professores. Cada encontro tem duração de uma hora e meia e é sempre marcado em um horário do contraturno escolar, para que a presença do aluno esteja garantida.
Segundo a pedagoga, o texto da política nacional que está sendo preparado não passou por consulta ampla a movimentos ligados à causa. "De que forma será feita a avaliação para definir o destino dessa pessoa [com deficiência ou TEA], se deve estar no espaço comum?", questionou.
"[A matrícula no ensino comum] é benéfica tanto para a pessoa com deficiência quanto para a pessoa sem deficiência. É esse convite ao respeito à diversidade, as diferenças", disse. 
Por Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil /Edição: Carolina Gonçalves

sábado, 16 de novembro de 2019

Alquimia espiritual: transformar a dor em evolução

Os antigos alquimistas buscavam uma substância chamada "pedra filosofal" para transformar chumbo em ouro. Na alquimia espiritual, a perspectiva é a substância que nos permite transformar dificuldades e deficiências em contribuições construtivas.
É possível que, sem perceber, acabemos prisioneiros de uma fantasia perigosa. Acreditamos que devemos trabalhar para construir uma vida em que não haja problemas, contradições ou fatos dolorosos. A fantasia é algo arriscado porque pode nos levar a lutar pelo que não existe, em vez do que é possível: a alquimia espiritual.
O termo ‘alquimia espiritual’ é uma metáfora. Lembre-se de que, alguns séculos atrás, os alquimistas eram pesquisadores que, durante muito tempo, procuraram um método para transformar chumbo em ouro.
Isso também pode ser visto a partir de uma perspectiva simbólica. Significa transformar algo com pouco valor em um elemento valioso.
“Se não está em suas mãos mudar uma situação que causa dor, você pode escolher a atitude com a qual enfrenta esse sofrimento”.– Viktor Frankl –
Os antigos alquimistas acreditavam que poderiam alcançar essa transformação mágica através de uma substância que chamavam de “pedra filosofal”. É claro que se tratava de outra fantasia.
No entanto, esta ideia nos fornece uma imagem ilustrativa que podemos aplicar ao processo de alquimia espiritual. Este é um processo simbólico, possível de ser realizado, pois ocorre em nossa mente.

A alquimia espiritual e o “chumbo”

Dissemos no início que, sem ter muita consciência disso, às vezes pensamos que algo está errado em nossas vidas simplesmente porque não é perfeito. Temos problemas ou enfrentamos contradições internas e assumimos que isso está “errado”, que não deveria ser assim.
Daí deduzimos que, no fundo, imaginamos a existência de um modo de vida em que não há nenhuma dessas dificuldades.
Mulher chateada
Isso é um autoengano. A própria vida é uma dificuldade para resolver, mas também uma oportunidade para crescer.
No nascimento, e mesmo antes dele, carregamos o efeito de todos os problemas ainda não resolvidos pelos nossos pais e pelas gerações que os precederam, além das dificuldades da sociedade na qual chegamos ao mundo.
Então, à medida que crescemos, enfrentamos as nossas próprias carências, necessidades e paradoxos. Não poderia ser de outra maneira.
Mesmo que a nossa vida seja cercada por condições muito harmoniosas, mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar perdas, dores físicas e emocionais, doenças, mortes. Esse é o “chumbo”.

O processo da alquimia espiritual

Quando finalmente entendermos que uma vida perfeita não existe e que, portanto, não é razoável acreditar nela, daremos um grande passo.
Desistir dessa fantasia é um ponto de partida muito importante, não apenas para ajustar as nossas expectativas, mas para iniciar o longo processo de aprendizado da alquimia espiritual: transformar chumbo em ouro. Ou seja, transformar problemas, dificuldades e dores em uma contribuição positiva para as nossas vidas.
O que nos leva a classificar algumas das experiências que temos, ou das situações em que estamos imersos, como insuportáveis não são essas realidades. Tudo está em nossa mente, ou seja, na perspectiva que adotamos diante do que nos acontece, na leitura que fazemos de todas essas realidades.
Mesmo a experiência mais bonita pode se tornar negativa se decidirmos olhá-la dessa maneira. Isso acontece quando, por exemplo, “amamos” com egoísmo, com medo e vontade de controlar. Ou quando trabalhamos com descuido e má vontade, ou quando decidimos enfatizar apenas os defeitos dos outros e do mundo.
Alquimia espiritual

A pedra filosofal

Precisamos da pedra filosofal para transformar chumbo em ouro. Essa pedra filosofal existe no mundo da mente. É equivalente à maneira como organizamos as nossas ideias e as nossas percepções para interpretar a realidade.
Uma pedra pode ser usada para bater em alguém, para construir uma casa ou fazer uma escultura. Tudo depende do que está na mente daqueles que a encontram.
Estaremos sempre expostos à dor, à rejeição, a não conseguir o que queremos… De um jeito ou de outro, nenhum ser humano escapa disso. A diferença entre eles está na capacidade de elaborar cada experiência de forma construtiva.
Infelizmente, aqueles que não o fazem de forma adequada repetem situações dolorosas constantemente.
A alquimia espiritual é um processo de transformação interior que somente cada um de nós pode realizar dentro de si mesmo. Não é fácil, nem garante uma vida feliz. O que ela faz é nos proteger de uma vida miserável, invadida pela dor e pelo desespero, na qual acabaremos sendo um objeto passivo das adversidades.
Por amenteemaravilhosa.com.br

Brasil exporta projeto de bancos de leite para parceiros do Brics

Unidades em mais de 20 países servem como casa de apoio à amamentação

Doação de leite materno
Na próxima segunda-feira (18), Angola iniciará a implantação de uma rede de bancos de leite para apoio às mães com filhos em idade de amamentação. O país na costa ocidental da África é o 22º a tomar essa iniciativa com apoio e cooperação do Brasil, que iniciou a implementação de bancos de leite em meados da década de 1980 e pôs em funcionamento a sua própria rede nacional em 1998.
Na África, o projeto está também em funcionamento em Cabo Verde e Moçambique. Está presente ainda em 17 países latino-americanos e em dois países europeus – Portugal e Espanha. A expertise brasileira na cooperação internacional chamou atenção dos parceiros do Brics - acrônimo formado com as letras inicias de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa).
Com a presidência brasileira pro tempore (temporária) do Brics, abriu-se a expectativa de que, no próximo ano, o Brasil inicie a colaboração com seus quatro parceiros no grupo de países de economia emergente.
A cooperação é técnica e não envolve repasse de recursos. O apoio vai desde a elaboração de projetos, assessoria na escolha de hospitais participantes das redes locais, especificação de equipamentos e treinamento de pessoal como processamento de leite humano, práticas de aleitamento e gestão de banco de leite.
Conforme explicou à Agência Brasil Joao Aprigio Guerra de Almeida, pesquisador da Fiocruz e coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano, constituída a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), a assessoria brasileira não impõe roteiro de criação de banco de leites em outros países.
“É um produto SUS-Brasil de exportação. Não transferimos modelos, mas sim princípios e apoiamos na adaptação às suas realidades. A cooperação brasileira se pauta por valores importantes como a horizontalidade, o compartilhamento, a não intervenção e o respeito à independência dos países”, assinalou Almeida.
A demanda de cooperação com os demais membros do Brics foi formalizada em uma reunião técnica ocorrida em agosto em Brasília, e ratificada em encontro dos ministros de Saúde dos cinco países, realizado em outubro em Curitiba.

Campanha Nacional

Profissionais de saúde orientam sobre amamentação na Semana Mundial de Aleitamento Materno, no Palácio do Catete.
A amamentação previne a fome e a desnutrição e garante segurança alimentar a lactentes - ArquivoAgência Brasil
De acordo com a Campanha Nacional Aleitamento Materno 2019, do Ministério da Saúde, a amamentação “previne a fome e a desnutrição em todas as suas formas e garante a segurança alimentar dos lactentes, mesmo em tempos de crise e catástrofe”, e “está associada a um melhor desempenho em testes de inteligência, renda mais alta e maior produtividade na vida adulta”.
Há benefícios da amamentação na prevenção de doenças como diabetes 1 e 2 nas crianças e câncer de mama nas mães. Tudo isso “diminui os custos com tratamentos nos sistemas de saúde”, informa a campanha.
A disseminação das vantagens do aleitamento materno e a criação de bancos de leite são causas abraçadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que 2020 completa 120 anos de funcionamento e tem sua matriz no Rio de Janeiro.

“O banco de leite é casa de apoio à amamentação, não é leiteria humana. Os nossos bancos de leite se voltam para obter leite para nossos prematuros. Essas crianças vão para casa, e suas mães precisam de apoio para eles serem amamentados”, afirmou Aprigio.
Segundo o pesquisador, a amamentação é biologicamente determinada, porém, é socioculturalmente condicionada. "Aquilo que deveria ser regido pelas leis da biologia, de algum tempo para cá, tempo que coincide com a indústria de leite, as leis da biologia passaram a ser substituídas pelas leis de mercado.”
Por Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil /Edição: Nádia Franco

A gaúcha Kamila Rabello mostrou todo o desafio no seu Instagram

Ela tem apenas 12 anos, mas já leu mais livros que a maior parte dos brasileiros em menos de um ano. A gaúcha Kamila Wagner Rabello se desafiou a ler 231 livros em até 365 dias — a média nacional é de 2 livros por ano, segundo o Instituto Pró-Livro. Estudante da 6ª série do Ensino Fundamental, ela lançou a meta em janeiro deste ano e a cumpriu na última segunda-feira, 28, véspera do Dia Nacional do Livro.
Ao mesmo tempo, ela compartilhava em seu Instagram os bastidores do que chamava de “Desafio Literário”. A moradora de Tramandaí, no litoral do Rio Grande do Sul, mostrava quais os livros lidos, fazia comentários sobre eles e selecionava alguns dos melhores trechos. Atualmente, ela tem mais de 6 mil seguidores no seu perfil da rede social, que é controlado pelos pais.
“No fim do ano passado, meu pai me mostrou uma reportagem sobre um menino do Amapá que leu 230 livros em um ano. Ele [o pai] perguntou: ‘o que tu acha de bater o recorde dele?’, e eu aceitei”, explica Kamila. Na época, o também estudante Kauê Capiberibe, de 11 anos, foi homenageado pela sua escola onde estudava, na capital Macapá, pela alta quantidade de leituras.
Kamila se descreve como fã de fantasia, suspense e terror. Leitora assídua desde criança, recebia em casa incentivo dos pais, um corretor de imóveis e uma atendente de farmácia. “Deixávamos ela com lápis e caneta na mão para ficar rabiscando. Quando ela foi alfabetizada, aos 7 anos, demos de presente um gibi da Turma da Mônica. Ela lia um gibi por semana”, conta o pai, Augusto César Rabello. Já a mãe, Daiana Wagner, lembra que sempre teve o hábito de “contar histórias para ela”.
Eles afirmam que já perderam a conta da quantidade de livros guardados em casa. Augusto, porém, estima que eles tenham cerca de 300 títulos. A maior parte deles foi comprada em promoções de lojas virtuais; outros foram presentes dos próprios seguidores de Kamila. A ideia é repassar todas as obras para os irmãos mais novos, de sete e três anos de idade, que já começaram a vasculhar os gibis da irmã mais velha. “Depois, a Kamila vai definir o que fazer com os livros. Se ela quiser doar, vamos ajudar”, conta o pai.
De 231 lidos, o livro mais marcante até agora foi O Pequeno Príncipe, escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. “Tem uma parte em que eles vêm para a Terra e começam a conversar com uma raposa, que fala que os homens estão sempre caçando, que vivem sozinhos”, lembra. “Uma lição que aprendi é que as pessoas sempre precisam de mais amigos, estar mais juntas umas das outras”.
Além da leitura, Kamila também cultiva o hábito da escrita: ela mantém um blog de crônicas na internet. A inspiração vem das próprias leituras: “misturo algumas partes da minha história com coisas que já li antes. Consigo escrever um texto em 10 ou 15 minutos”. Engana-se, entretanto, que ela ser seguir carreira de escritora. O objetivo dela é ser psicóloga e “seguir o exemplo de Augusto Cury, que trabalha com psicologia e também escreve”.
O segredo para manter ler e escrever tanto? A dica de Kamila é desativar as notificações do celular (as de redes sociais principalmente) e procurar um ambiente sem distrações, como computador e televisão. “Eu fico com meu celular junto comigo para anotar alguns pontos do livro, mas desativo tudo para ficar concentrada”. Fica a dica!
Por Felipe Goldenberg, no Terra/livrosepessoas.com

domingo, 10 de novembro de 2019

Como lidar com os comportamentos inapropriados do autismo

Como lidar com os comportamentos inapropriados do autismo
Um dos desafios dos pais de autistas é administrar os comportamentos inadequados das crianças e jovens dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Como sabemos, de fato, as crianças com TEA apresentam problemas nas habilidades de comunicação, déficits na interação interpessoal e limitações sociais.
Contudo, os comportamentos inadequados podem ocorrer devido ao déficit na habilidade necessária para comunicar sentimentos, necessidades e desejos ou para concluir com êxito uma tarefa.
Geralmente, eles não levam em contam os comentários e olhares de reprovação e continuam agindo como se estivesse tudo bem.
Por isso, surgem as birras, os ataques de raiva e comportamentos agressivos.

Alguns exemplos de comportamentos inapropriados

  • Birras que parecem incontroláveis;
  • Recusa-se a fazer atividades simples como comer, se vestir, sair da cama ou fazer a lição;
  • Comem objetos como papel, borracha, sabão;
  • Fazem barulhos ou gritam em momentos inadequados;
  • Rir em momentos sociais inadequados como em um funeral;
  • São agressivos ou violentos;
  • Batem a cabeça na parede.

Entendendo esses comportamentos inadequados

É importante saber que um comportamento é um processo aprendido, dessa forma, pode ser modificado.
Geralmente, o comportamento é realizado para atender a uma necessidade ou propósito.
As birras, por exemplo, acontecem devido a alguma frustração ou proibição, quando eles não querem fazer algo, por medo, frustração, bem como, por tédio. E eles também querem provocar alguma reação nas pessoas presentes naquela situação.
Um erro que os pais cometem nessas situações é aceitar os comportamentos inadequados da criança autista.
Eles podem achar difícil – e certamente, é – lidar com esses tipos de constrangimento, principalmente se for em público e ficam irritados ou envergonhados.
Por isso, decerto, os pais cedem às exigências do filho,  o que reforça o comportamento inadequado.

É bom observar

A criança entende que conseguiu o que queria e, decerto, vai voltar a repetir esse comportamento inadequado toda vez que desejar o mesmo objetivo (serve como uma recompensa).
Primeiramente, os pais devem observar esses comportamentos e identificar em quais situações eles acontecem. É importante perceber se estão relacionados a dificuldade de comunicação ou a necessidade de rotina e hábitos.
Além disso, é importante reconhecer se ocorreu alguma mudança significativa no ambiente em que a criança está. E, em seguida, saber quais são os resultados obtidos pela criança depois desses comportamentos inadequados.
Igualmente, outra questão bastante delicada é sobre os comportamentos sexuais inadequados que surgem na adolescência. Os autistas podem tocar-se em locais públicos, tocar os outros e, da mesma forma, realizar a masturbação na frente de outras pessoas e tirar a roupa na frente de estranhos.

Como agir diante de comportamentos inadequados

Não é fácil lidar com esses comportamentos inadequados, mas é necessário que os pais e cuidadores demonstre que dessa forma a criança não conseguirá o que deseja. Sendo assim, não reforça o comportamento.
É importante manter a calma, não gritar, bem como, não brigar ou bater na criança. É necessário, no entanto, manter a mesma postura quando a criança apresentar esse comportamento e evitar ceder.
Os pais devem elogiar e dar atenção quando a criança conseguir ter um comportamento adequado. É importante conversar e explicar a necessidade de tal comportamento. Nesse sentido, pode ser usadas imagens ou fotos para facilitar a comunicação.

Ajuda Profissional

Certamente, ter uma equipe de profissionais ajuda bastante na orientação desses comportamentos. Busque ajuda de especialistas para lidar com os comportamentos inadequados e entenda como pode ajudar seu filho a se desenvolver e ter mais qualidade de vida.
Os pais devem procurar tratamento de um profissional qualificado para explicar suas preocupações e desenvolver um plano de tratamento individualizado para desse modo, reduzir os comportamentos inadequados de seus filhos.

ABA: ajudando a modificar comportamentos inadequados

A terapia ABA também é, sem dúvida, eficiente para modificar os comportamentos inadequados em situações específicas. Por meio de diversas técnicas de reforço e recompensa, as crianças autistas vão sendo estimuladas a aprenderem o comportamento adequado durante o dia a dia.
Muitas habilidades importantes podem ser ensinadas nas situações diárias de rotina. Os pais também precisam usar reforços positivos e negativos para que a ABA seja eficaz para minimizar os comportamentos inadequados.
O reforço positivo é uma das principais estratégias utilizadas na ABA. Quando um comportamento é seguido por algo que é valorizado, como uma recompensa, é mais provável que uma pessoa repita esse comportamento. Com o tempo, isso incentiva mudanças positivas de comportamento.
Cada vez que a pessoa usa o comportamento ou a habilidade com sucesso, recebe uma recompensa. Lembrando que essa recompensa pode ser um elogio, um brinquedo ou livro e também assistir a um vídeo, por exemplo. Essas recompensas positivas incentivam a pessoa a continuar usando a habilidade e mudar de comportamento.

Referencias:

Por Dra. Fabiele Russo/NeuroConecta

MEC reforça horários de aplicação do Enem neste domingo

Enem
O Ministério da Educação (MEC) reforçou hoje (8) o horário de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Participaram do primeiro dia de prova, domingo passado (3), cerca de 3,9 milhões de estudantes. Neste domingo (10), eles fazem as provas de matemática e ciências da natureza.

Os portões serão abertos 12h e fechados às 13h, no horário de Brasília. As provas começam a ser aplicadas às 13h30 e vão até as 18h30. Os participantes terão meia a hora a menos que no domingo passado (3), quando fizeram as provas de redação, linguagens e ciências humanas.

Dadas as diferenças de fuso-horário no Brasil, candidatos que farão a prova em sete estados vão responder as questões até duas horas antes do horário da capital do país.

O acesso à sala de provas só será permitido com a apresentação de documento oficial de identificação com foto, conforme previsto em edital. A lista completa dos documentos aceitos está disponível na página do Enem.

O Instituto Nacional de Pesquisas e Estudo Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recomenda que o participante leve também o Cartão de Confirmação da Inscrição impresso, que pode ser buscado na Página do Participante e no aplicativo do Enem.

As questões da prova só podem ser respondidas com caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente.
No último domingo, relógios de alguns aparelhos eletrônicos adiantaram automaticamente uma hora. O problema havia sido previsto pelo Google.

Confira o horário local das provas do Enem em cada estado

Acre e 13 municípios do Amazonas - Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Jutaí, Lábrea, Pauini, São Paulo de Olivença, Tabatinga: abertura dos portões, 10h, fechamento dos portões, 11h, início das provas, 11h30, término das provas, 16h30.

Amazonas (com exceção dos 13 municípios descritos acima), Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul: abertura dos portões, 11h, fechamento dos portões, 12h, início das provas, 12h30, término das provas, 17h30.

Distrito de Fernando de Noronha (Pernambuco) - abertura dos portões,13h, fechamento dos portões, 14h, início das provas, 14h30, término das provas, 19h30.

Demais estados - abertura dos portões, 12h, fechamento dos portões, 13h, início das provas, 13h30, término das provas, 18h30.
Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil/Edição: Nádia Franco