segunda-feira, 14 de outubro de 2019

CAPES recebe primeiras propostas de mestrado EaD

A CAPES recebeu os primeiros pedidos para a criação de cursos de pós-graduação a distância. Das 665 demandas entregues para a Avaliação de Propostas de Cursos Novos (APCN), 17 são para mestrados a distância.
A modalidade foi instituída pelo Decreto nº 9.057 de 2017 e normatizada pela Resolução nº 7 da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CES/CNE). Desde então a CAPES aprofundou os estudos sobre educação a distância (EaD) e publicou a Portaria nº 90 de 2019 que regulamenta o tema. Um dos focos principais do grupo de trabalho criado para debater o tema foi a manutenção da qualidade.
Com a criação de mestrados EaD será possível facilitar a interiorização da pós-graduação no Brasil, diminuindo a necessidade de deslocamento e permanência dos estudantes nos grandes centros. Sônia Báo, diretora de Avaliação, espera que as instituições se associem para oferecer cursos de qualidade. “Acredito que as instituições tenham que fazer associações para o processo ser mais tranquilo. Espero que trabalhem em conjunto possibilitando de fato a interiorização”.
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Outro ponto a ser impulsionado com os mestrados a distância é a formação continuada de professores, melhorando a qualidade do ensino básico no país. O ensino EaD é uma demanda da comunidade acadêmica. Das 17 propostas apresentadas, duas foram na área de Ciências da Vida, nove em Humanas, uma proposta na Exatas e cinco propostas na área Multidisciplinar.
Os mestrados a distância deverão fazer de forma presencial estágios obrigatórios, seminários integrativos, práticas profissionais, avaliações presenciais, pesquisas de campo e atividades de laboratórios. Cada programa deverá ter um regulamento com estratégias para evitar fraudes nas avaliações, critérios para manutenção da qualidade do programa, estrutura curricular, entre ouros pontos.
Em 2019 foram aceitas apenas propostas para a criação de cursos de mestrado a distância. Propostas de doutorado EaD serão aceitas apenas após o primeiro ciclo de avaliação dos mestrados. O processo de apresentação de APCN se encerrou em 9 de agosto.
Para ser aprovada, cada proposta vai passar pela análise do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior, assim como os cursos presenciais. As propostas recomendadas são encaminhadas para aprovação do Conselho Nacional de Educação.
 Por Redação CCS/CAPES)

sábado, 12 de outubro de 2019

Música ajuda a curar dor de crianças refugiadas em Pacaraima

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O poder curativo da música é a aposta da maestrina Miriam Blos para transformar a dura vida de 113 crianças venezuelanas, de 4 a 16 anos, no projeto Canarinhos da Amazônia. Em uma casa em Pacaraima (RR), cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela, os meninos e meninas recebem refeições diárias, participam de atividades complementares à escola e formam o coral Canarinhos da Amazônia. No repertório, canções em português e espanhol.
“Eles chegam bem destruídos, sem esperança, como se ‘e agora?’. Para a criança é mais fácil fingir, mas quando começa a fome, bate o desespero na mãe, e ela não sabe o que fazer. Havia muitas crianças na rua e isso nos levou a abrir a Casa da Música”, conta Miriam. Ela já desenvolvia o projeto desde a década de 90, em Boa Vista. Mas quando teve início a crise migratória dedicou-se a atender apenas crianças venezuelanas. Todos os dias cerca de 500 pessoas, em média, atravessam a fronteira para o Brasil.
“A gente está muito preocupado com o futuro das crianças porque é a geração futura. É muito importante essa integração Brasil-Venezuela porque nós sempre fomos irmãos”, diz Miriam. No coral há ainda crianças indígenas venezuelanas de três etnias diferentes.
O projeto conta com o apoio do Exército e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Os trabalhos na Casa da Música começam às 5h quando os alunos chegam para tomar café-da-manhã e vão para a escola. No período da tarde, retornam para as atividades extras. E, antes de ir embora, comem o jantar.  Miriam diz que não recebe mais alunos por falta de espaço, mas na hora do almoço sempre há crianças do lado de fora, aguardando por um pouco de comida.
As músicas são escolhidas a dedo: mensagens positivas e melodias que acalmam são pré-requisito. “A criança começa a mudar os pensamentos. A fome já não é mais a mesma, eu já tenho o amor, alguém me acolheu. A  música é esse instrumento lindo, esse instrumento de harmonia que conduz esse processo. Agora você vê o resultado de crianças que estão estudando, bem alimentadas e que já podem voltar a sonhar com um futuro para o nosso planeta”, relata Miriam.
Por Amanda Cieglinski – Repórter da TV Brasil/Edição: Liliane Farias/Agência Brasil

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O viés da negatividade segundo a ciência



Nós, seres humanos, desenvolvemos uma tendência a nos sentirmos mais afetados por uma crítica do que por um elogio. As más notícias nos afetam mais do que as boas, e qualquer acontecimento negativo fica gravado mais profundamente na memória do que um positivo. Por que isso acontece?
Os seres humanos têm uma certa tendência a pensar naquilo que não deu tão certo em vez de refletir sobre os aspectos que funcionaram. Por isso, nossas lembranças agradáveis e positivas podem ficar manchadas por simples encontros desagradáveis. É a isso que se refere o viés da negatividade. Mais especificamente, ao valor que damos ao negativo.
Esse é, além disso, o viés que explica as razões pelas quais os acontecimentos traumáticos e as experiências negativas permanecem por mais tempo em nossa memória e parecem nos afetar mais do que as positivas.
Parece que essas experiências mais ou menos desagradáveis tendem a ficar mais intensas em nossos pensamentos. Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.
Mulher pensativa

Bases evolutivas do viés da negatividade

Em muitas ocasiões, uma notícia ruim provoca muito mais impacto do que outra boa. Além disso, pode ser que as críticas nos afetem muito mais do que os elogios.
No livro O Cérebro de Buda, o neurocientista Rick Hanson se aventura a dar uma explicação, que recebeu apoio de muitos outros pesquisadores, sobre a origem do caráter evolutivo do viés da negatividade.
Segundo Hanson, o viés da negatividade é uma consequência da evolução com a qual nossos antepassados aprenderam a tomar decisões inteligentes em situações de alto risco.
Esses tipos de decisões permitiram que eles sobrevivessem tempo suficiente para garantir a geração seguinte. Afinal, eram questões de vida ou morte.
Assim, os indivíduos que viviam em sintonia com os possíveis acontecimentos perigosos tinham mais chances de sobreviver. Com o tempo, a estrutura cerebral se adaptou de forma muito lenta para prestar mais atenção à informação negativa do que à positiva.
As diferentes pesquisas parecem estar de acordo com a ideia de que esse viés da negatividade se desenvolve na primeira infância. Por volta do primeiro ano de vida, a atenção dos bebês que inicialmente se focava nas expressões faciais passa a se direcionar aos estímulos negativos.

Bases biológicas

Nos estudos realizados pelo psicólogo John Cacioppo sobre o processamento neuronal do viés da negatividade, foi possível comprovar que a resposta do cérebro a estímulos sensoriais, cognitivos e motores negativos provoca uma ativação muito maior que os acontecimentos positivos. Isso ocorre especialmente no córtex cerebral.
Como resultado do anterior, hoje em dia esse viés da negatividade favorece e influencia o fato de nos focarmos no negativo ao nosso redor, inclusive quando se trata de tomar uma decisão.
Também parece influenciar muito a motivação com a qual se completa uma tarefa. É curioso que uma tarefa que exija evitar uma experiência negativa nos motive muito mais do que quando a realização de uma tarefa pode nos recompensar com um incentivo positivo.
Por sua vez, a abordagem evolucionista sugere que esta é apenas uma tendência que possuímos direcionada a evitar o prejuízo provocado por situações negativas. Trata-se, simplesmente, de uma forma por meio da qual nosso cérebro tenta nos manter seguros e protegidos.

Quais são os efeitos do viés da negatividade em nossas vidas?

Embora pareça que esse viés da negatividade tenha nos ajudado a sobreviver como espécie, a verdade é que ele provoca alguns efeitos bastante indesejáveis no nosso dia a dia que devemos, pelo menos, conhecer.
Além de afetar a nossa tomada de decisões e o entendimento dos riscos que estamos dispostos a assumir, esse viés parece ter um grande impacto na forma como percebemos as outras pessoas. Nas relações mais próximas, pode nos levar a pensar e esperar o pior dos outros.
As engrenagens da mente

Acreditamos antes em notícias falsas se elas forem negativas

O viés da negatividade tem consequências tão díspares quanto as que nos deixam mais propensos a dar mais credibilidade às notícias negativas do que às positivas.
Esse tipo de notícia não apenas chama muito mais a nossa atenção, mas também recebem mais credibilidade, mesmo que possam ser falsas.
Este viés também afeta nossos valores e nossas ideologias, e parece estar muito relacionado com a tendência a se apegar às tradições e à segurança diante de estímulos ambíguos e mudanças que podem ser consideradas ameaçadoras.
Como se pode ver, é melhor refletir sobre qual é a nossa tendência na maioria das situações e levar em consideração a presença do viés da negatividade. Devemos fazer isso principalmente se desejamos que as nossas decisões sejam as mais adequadas possíveis.
Por amenteemaravilhosa.com.br

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Outubro Rosa: Que tal conhecer a origem desse movimento internacional?

O Outubro Rosa é um movimento internacional que visa ao estímulo à luta contra o câncer de mama. Essa ação iniciou-se em 1997, nos Estados Unidos, e foi ganhando o mundo como uma forma de conscientização acerca da importância de um diagnóstico precoce e de alerta para a grande quantidade de mortes relacionadas com essa doença.
O símbolo da campanha é um laço rosa, que foi feito, inicialmente, pela Fundação Susan G. Komen e distribuído na primeira corrida pela cura do câncer de mama em 1990. Esses laços rosas popularizaram-se e foram usados posteriormente para enfeitar locais públicos e outros eventos que lutavam por essa causa.
Além do laço rosa, muitas cidades passaram a iluminar os seus monumentos públicos com luz rosa para dar maior destaque ao mês de luta contra a doença. No Brasil, o primeiro sinal de simpatia pelo movimento aconteceu em outubro de 2002, quando o monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, também chamado de Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa. Em outubro de 2008, o movimento ganhou força e várias cidades brasileiras foram iluminadas como uma forma de chamar a atenção para a saúde da mulher.

A iluminação rosa simboliza o apoio à luta das mulheres contra o câncer de mama*

O Câncer de Mama

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres em todo o mundo, sendo raro em homens. Normalmente a doença é diagnosticada em exames de rotina quando se percebe um nódulo na região dos seios. Entretanto, muitas vezes, os nódulos não podem ser sentidos, sendo, portanto, fundamental a realização de exames de imagem. O exame mamográfico é o principal exame realizado para diagnóstico e deve ser feito por mulheres entre 40 e 69 anos de idade.
O autoexame das mamas era bastante recomendado como forma de detecção da doença, entretanto, em virtude da dificuldade de algumas mulheres de entenderem a anatomia do órgão, falsos resultados eram obtidos. Nódulos pequenos podem não ser sentidos, o que pode causar a falsa impressão de que a mulher está saudável e retardar a consulta ao médico. Todavia, é importante ressaltar que o autoexame, junto a exames periódicos, pode salvar vidas.
O câncer de mama possui significativos índices de cura, que giram em torno dos 95% quando descoberto precocemente. O tratamento normalmente consiste em uma cirurgia para a retirada do tumor e a complementação com técnicas de radioterapia e quimioterapia.
Apesar de muitas vezes o câncer de mama não possuir causa específica, algumas medidas podem ser tomadas como prevenção. A principal forma de prevenir-se é ter uma alimentação saudável, balanceada e rica em alimentos de origem vegetal. É importante também evitar embutidos e o consumo excessivo de carne vermelha. Atividades físicas e hábitos saudáveis de vida, como não fumar nem ingerir bebida alcoólica, também ajudam a evitar a doença.
AtençãoO diagnóstico precoce é essencial para a cura dessa doença, sendo assim, é fundamental procurar regularmente o médico.
*Crédito da imagem: Matthi | Shutterstock

Por Ma. Vanessa dos Santos/Brasil Escola
O laço rosa é um símbolo da luta contra o câncer de mama
O laço rosa é um símbolo da luta contra o câncer de mama

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Outubro Rosa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/outubro-rosa.htm. Acesso em 08 de outubro de 2019.

Turma da Mônica vai às escolas públicas ensinar sobre educação financeira


O projeto Em Busca do Tesouro foi lançado nesta quinta-feira (3) pelo Tesouro Nacional, irá levar a Turma da Mônica às escolas públicas do país para ensinar educação financeira à crianças de 9 a 11 anos para formar cidadãos e consumidores conscientes desde cedo. 
As crianças irão aprender, por meio de revistinhas da Turma da Mônica, a cuidar do próprio dinheiro e também do dinheiro público. As revistinhas ensinam os conceitos de equilíbrio, resultado e transparência. 
O líder do programa, Antônio Barros, informa que o projeto-piloto irá passar por uma avaliação e a intenção é que até 2 milhões de crianças tenham acesso ao conteúdo em todo o país. “Estamos ensinando as crianças – e que depois isso atinja também o entorno dela, a família, o pai, mãe, o responsável – que elas precisam desde cedo entender como devem cuidar do seu dinheiro. Quanto mais ela cuida do seu dinheiro, mais ela fica autônoma e pode ser senhora da sua própria vida”, disse. 
Por O Brasilianista

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Livraria nas montanhas oferece o prazer da leitura a 3.400 m de altura


Biblioteca laFetrinelli, Mont Blanc Foto: LORENZO PASSONI / ICON DESIGN
laFetrinelli ganhou o título de livraria mais alta da Europa – muito provavelmente do mundo
A. J. Oliveira, no Estadão
Em um pequeno espaço perto do topo de uma das maiores montanhas da Europa, abriu as portas recentemente uma loja de livros diferente de qualquer outra: a laFeltrinelli 3466. Situada no interior de uma estação de teleférico a uma altitude de 3.466 metros, ganhou o título de livraria mais alta da Europa – muito provavelmente do mundo. Foi construída em Ponta Helbronner, um dos cumes que despontam do icônico Mont Blanc, que não é um único monte, mas sim um maciço de montanhas dividido pela Itália, França e Suíça.
Para chegar lá, é preciso subir por 20 minutos a bordo de uma cabine ampla e moderna, com grandes janelas que proporcionam vista panorâmica da deslumbrante natureza selvagem dos Alpes. É como o bondinho do Pão de Açúcar, só que giratório, para que todos os até 80 visitantes a bordo tenham a chance de contemplar tanto as montanhas, quanto os dois cênicos vales lá embaixo, Ferret e Veny, além da charmosa Courmayeur. A cidade, destino famoso entre alpinistas, fica a poucos quilômetros da fronteira francesa.
Durante a subida, dá para ver do alto as cabras ibex, exímias escaladores nativas daquela região. No século 19, a espécie foi implacavelmente caçada e levada à beira da extinção: estima-se que, em 1856, havia só 60 animais confinados em uma reserva. Mas projetos de preservação conseguiram elevar o número de espécimes para 40 mil e reintroduzi-los pelos Alpes. Lá em cima, fica até um pouco difícil de respirar, já que o ar é mais rarefeito.
Interior da biblioteca laFetrinelli Foto: LORENZO PASSONI / ICON DESIGN
A livraria em si tem o tamanho de um bom apartamento: 60 m². Apesar de pequena, é aconchegante e convidativa. Com catálogo de 376 títulos e 1.726 volumes, a laFeltrinelli 3466 foi inaugurada em 21 de junho, a princípio com a ideia de ser algo temporário, uma pop-up store. Duraria só até setembro, para aproveitar a alta temporada dos meses de verão. “Mas vendeu tão bem, tanto livros quanto souvenirs, que decidimos manter”, afirma Maria Lagazzi, porta-voz da Skyway Monte Bianco, empresa que opera o teleférico.
Ela conta que a visão do Mont Blanc e a sensação de estar em um lugar único no mundo incentiva os visitantes a levarem uma recordação. Toda vez que alguém compra um livro na livraria mais alta da Europa, Ylenia Mareliati, atendente de caixa, usa um carimbo especial para eternizar nas páginas a lembrança da visita. “É belo trabalhar aqui com essa vista”, ela confessa. O ponto forte são os livros de montanhismo: uma vasta seleção de títulos conta histórias de superação de alpinistas e explora a relação do ser humano com a montanha.
Impossível não se arrebatar por elevadas reflexões ao folhear um bom livro em uma das mesinhas à frente da janela. Entre uma página e outra, novas ideias vão sendo absorvidas e ganham ares sublimes ao levantar o olhar e contemplar o gelo eterno do Mont Blanc. Mesmo no verão, lá em cima fazia 3 graus — no inverno pode chegar a menos 40. Há um mirante em cima da estação para admirar a magnificência e respirar o ar puro do cume.
Por trás do projeto da livraria, há um conceito que desdobra paralelos instigantes entre viajar, ler e subir a montanha. “Os leitores, como os próprios livros, têm dentro de si o desejo extraordinário de horizontes sempre novos, e o fôlego para ir adiante e buscá-los”, lê-se na placa em uma das paredes da sala que, até junho, abrigava uma exposição de cristais extraídos do subsolo da montanha. “Este lugar é feito para eles: leitores e livros. Um lugar único e inesperado onde se pode fazer uma pausa, encontrar novas histórias, imergir na leitura com o Mont Blanc como companheiro e fonte de inspiração.”
A verdade é que a parceria se mostrou bastante proveitosa para ambas as empresas. Como uma das maiores redes de livrarias italianas, com mais de 120 lojas espalhadas pelo país, a marca atrai visitantes para o teleférico, que por sua vez oferece ao grupo Feltrinelli a chance única de estar presente no ponto mais alto da Europa Ocidental – o Monte Elbrus, com seus 5,6 km de altura, chega a ser maior que o Mont Blanc.
Mas, tecnicamente, fica no Cáucaso, em território russo, então é meio europeu, meio asiático. Outra livraria com título curioso, que está até no Guinness Book, fica a 230 metros do chão, no 60º andar de um hotel em Xangai, na China: é a mais alta dentro de um prédio.
Em termos de altura absoluta, é claro que ela não chega nem perto da nova livraria alpina. Durante sua inauguração, a presidente da Skyway Monte Bianco, Federica Bieller, ressaltou seu significado. “Graças à abertura da laFeltrinelli 3466, nosso tecnológico teleférico valoriza ainda mais a subida, tornando-a uma excursão cultural”, explicou a executiva. “A valorização da cultura de montanha, passar adiante as palavras dos autores que a amaram e a desafiaram, o Mont Blanc como cenário para fantasiar”, diz Bieller.
Em funcionamento no lado italiano da montanha desde 1947, toda a infraestrutura passou por uma gigantesca reforma entre 2011 e 2015. Com um investimento de € 110 milhões, a capacidade de visitantes por ano cresceu de 100 mil para 300 mil. As estações formam um verdadeiro complexo turístico, com diversas atrações ao longo da subida. Na estação-base, Courmayeur: The Valley (O Vale) há apenas a bilheteria e um café.
Mas, na parada intermediária, Pavillon: The Mountain (A Montanha), a 2.173 metros de altitude, o visitante se torna explorador e tem uma miríade de atividades à sua disposição. No Buffet Alpino, pode degustar os deliciosos sabores da bela região do Vale de Aosta, onde fica Courmayeur; dentro da estação tem até cinema e centro de convenções, além de uma vinícola um tanto especial – a Cave Mont Blanc.
Seu espumante Cuvée des Guides, com apenas cem garrafas produzidas ao ano, tem propriedades únicas por conta das baixas pressão atmosférica e temperatura naquela altitude. Do lado de fora, um passeio pelo Jardim Botânico Saussurea, que reúne mais de 900 espécies de plantas e flores de várias partes do mundo, oferece um vislumbre da natureza alpina, com uma profusão de insetos voando, pulando e zunindo por toda parte.
Montanhistas podem ir e vir como quiserem pelo ambiente ao redor, fazendo trilhas nos meses mais quentes, mas recomenda-se sempre o acompanhamento de guias. “A montanha é livre, nós não freamos ninguém”, afirma Lagazzi. O mesmo vale para esquiadores, que podem descer o Mont Blanc no inverno, mesmo sem grandes estruturas para a prática. É preciso ter experiência. “Não é como esquiar em pista”, ela diz. Já quando chega na estação final, Punta Helbronner: The Sky (O Céu), o explorador vira peregrino.
Aqui, no ponto mais alto da Europa, ou em outra perspectiva, o ponto mais baixo do céu, além da laFeltrinelli 3466 e do observatório 360 graus, é possível fazer uma leve refeição ou tomar um café no bistrô panorâmico, e até atravessar a vertiginosa passarela toda de vidro SkyVertigo. A sensação é de estar caminhando pelo céu sobre o gelo eterno do cume lá embaixo. Àquela altitude, o clima muda rápido: Lagazzi dá a dica de fazer a subida de manhã, quando a visibilidade é melhor. Tocar o céu e regressar ao vale é um pouco como começar e concluir a leitura de um bom livro – não se é mais o mesmo no final.
Por Cristina Danuta/www.livrosepessoas.com
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sábado, 21 de setembro de 2019

A importância da figura paterna na criação dos autistas

Young Boy Studying At Desk In Bedroom In Evening
O envolvimento e a participação do pai na criação de crianças e jovens com autismo é tão fundamental quanto das mães. Infelizmente, não é isso que acontece em todos os casos. É bastante comum que apenas as mães fiquem responsáveis pelos cuidados das pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por diferentes razões.
Sabe-se que cuidar de uma criança autista é uma tarefa árdua para alguns pais. E que o amor e o afeto do pai e da mãe afetam igualmente o comportamento da criança, a autoestima, a estabilidade emocional e a saúde mental. A presença da figura paterna beneficia as crianças e ajuda também a desenvolver suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais à medida que essas crianças crescem.
Os pais ficam responsáveis por cuidar, compartilhar momentos de atividades e brincadeiras, assim como têm responsabilidades de garantir que a criança ou jovem com o TEA tenham todos os cuidados e recursos para se desenvolver.
Pesquisadores afirmam que os pais da criança com TEA ao se confrontarem com o diagnóstico podem experimentar um sentimento de perda da criança idealizada e vivenciar um processo de luto do filho “perdido”. Por essa razão, os pais podem encontrar uma dificuldade para estabelecer vínculos afetivos com a criança nos primeiros anos. Alguns pais podem precisar de ajuda psicológica para lidar com a situação e superar essa dificuldade.
Um “pai engajado” é definido como aquele que se comporta de forma responsável com seu filho, é emocionalmente engajado e fisicamente acessível, fornece apoio material para sustentar as necessidades da criança, está envolvido no cuidado das crianças e exerce influência nas decisões de criação dos filhos.

Desenvolvimento infantil e a participação dos pais

A relação entre pai e filho pode ser tão importante quanto o relacionamento da criança com a mãe em estágios iniciais de desenvolvimento – o envolvimento do pai está relacionado a resultados positivos em bebês, como melhora no ganho de peso em bebês prematuros e melhores taxas de amamentação. Além disso, mães e pais têm diferentes estilos de brincar e se comunicar com as crianças e desempenham papéis únicos, mas vitais no desenvolvimento infantil. Alguns exemplos:
– Os pais promovem um comportamento mais exploratório e independente por parte de seus filhos pequenos. Eles ajudam nas brincadeiras mais físicas e estimulantes do que a maioria das mães;
– Ao falar com crianças pequenas, as mães simplificam suas palavras e falam no mesmo nível da criança. Os pais falam de outra forma e desafiam a competência linguística da criança.
– Em questão de disciplina, é comum que os pais sejam mais rigorosos e exigentes, o que pode ser mais efetivo nas intervenções terapêuticas.

Participação em tratamentos e intervenções terapêuticas

Para que o autista se desenvolva e tenha menos sintomas que impactem a sua vida, algumas intervenções terapêuticas são indicadas. E para ter sucesso, elas englobam tanto a família quanto a escola. Boa parte do tratamento se estende para a própria casa do autista e nesse momento a participação dos pais é fundamental para ter resultados positivos. O afeto e a proximidade dos pais são imprescindíveis para a criança se sentir acolhida e segura.
Por isso, é fundamental que os pais estejam presentes em todos os momentos da vida do filho com o TEA. É importante participar das consultas com pediatras, psicopedagogos e reuniões escolares para apoiar as mães e também entender mais o que acontece com o filho com autismo. Ter um pai por perto ajuda à criança autista a ser mais segura, equilibrada e evoluir com os tratamentos indicados.
Por Dra. Fabiele Russo/NeuroConecta