Esta estilista transforma lonas descartadas no mar em roupas

A marca de Santa Costura de Todos os Panos se uniu à ONG Mar Limpo para retirar lonas e redes do oceano e transformá-las em roupas desejáveis.

SCTP Mar Limpo
A moda sustentável está em pauta e, dentre as diferentes iniciativas feitas dentro dela, o upcycling é definitivamente a ideia da vez. André Carvalhal, autor do livroModa com Propósito, acredita que essa é uma das melhores alternativas para o futuro da indústria. Afinal, trata-se de reaproveitar e dar novo significado a peças que já existem. A união perfeita entre a preocupação ambiental e o desafio à criatividade.
Neste contexto, existem estilistas que ressignificam roupas encontradas em brechós ou até mesmo de suas coleções passadas. Outros vão ainda mais longe e se aliam a grandes causas, como a marca campineira Santa Costura de Todos os Panos, que se uniu à ONG Mar Limpo para criar uma linha que transforma lonas e redes de pesca descartadas no oceano em peças usáveis e desejáveis.
Criado em 2008 pelo publicitário Carlos Cabral, a ONG nasceu em São Sebastião, litoral de São Paulo, a partir de sua observação sobre a grande quantidade de resíduos que é jogada no mar tanto por empresas quanto por cidadãos no dia a dia. Por um amigo em comum, ele conheceu a estilista Gabriele Meirelles e ficou encantado pelo trabalho de slow fashion que ela já praticava, apesar de nunca ter se aventurado no upcycling. “Ela abraçou o projeto ampliando-o com ideias muito legais, que realmente agregaram valor aos resíduos”, conta.
SCTP Mar Limpo
Para a designer houve alguns desafios, principalmente na hora da modelagem e acabamento. Acostumada a trabalhar com malha, ela precisou estudar uma maneira de criar um bom caimento em um material tão rígido. “O tecido fala por si só, não precisa de muitos detalhes. Cada pedaço de lona tem uma história marcada em cada mancha. Quis evidenciar essas informações do próprio tecido”, diz a estilista da SCTP, que criou quatro peças-chaves feitas 100% de lona: calça, bermuda, saia e blazer.
Ter uma roupa que foi feita a partir da técnica do upcycling é também entender a história que vem embutida nela. Para muitos, isso faz com que a aquisição fique ainda mais interessante, além, é claro, da percepção de estar consumido de forma mais consciente. “Tanto fornecedores quanto clientes estão parando para pensar no que é possível fazer para gerar essa sustentabilidade. Um pensamento coletivo de consumo consciente está pairando e isso ficou evidente na aceitação da coleção Mar Limpo”.
Com o retorno proveniente desta coleção, a Mar Limpo vai poder ampliar sua linha de produtos e, consequentemente, aumentar sua capacidade de atuação. Quem ficou interessado, já pode adquirir as peças exclusivas na loja da etiqueta e ficar de olho no seu Instagram.
Por Nathalia Levy/Elle

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